Lideranças criativas com background de UX em agências

Carreira de um criativo em agências

Quando comecei a trabalhar com publicidade, a figura do Diretor de Criação da agência era uma.

Normalmente ele tinha trabalhado como Diretor de Arte por muitos anos, depois começou a coordenar um pequeno grupo de criativos, até ir aos poucos assumindo contas e responsabilidades maiores e chegar à posição de Diretor de Criação.

O interessante é que, ao mesmo tempo em que esse profissional percorreu a trajetória vertical (de criativo-chão-de-fábrica até chegar à diretoria criativa), ele também percorreu um caminho horizontal de incorporar o digital ao seu trabalho, à medida em que os meios digitais ganhavam força no país. Afinal, esse cara tinha trabalhado com o tal do “offline” por muitos e muitos anos. E foi ali que ele aprendeu muito do seu método criativo que usa até hoje.

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Chegamos nas pequenas agências

UX chegando de mala e cuia

Então é oficial: os Arquitetos de Informação, Designers de Experiência, Analistas de Usabilidade, etc. entraram também nas pequenas agências digitais.

Invadimos uma área habitada anteriormente por designers, programadores, atendimentos, planners e uma série de perfis consolidados no mercado. E nossa gloriosa tarefa é organizar, e muitas vezes acompanhar com micro-consultorias, várias destas áreas sem deixar qualquer má impressão ou desconfortos.

Tudo muito bom, porém tem um detalhe: eles já faziam muito bem seus trabalhos sem a nossa presença e muitos deles sabem boas práticas do segmento e possuem anos de experiência em seu ofício, enquanto muitos de nós viemos de skills diferentes e mal completamos uma década nesta labuta. Claro que devemos considerar exceções.

Multifacetas da formação

Para exemplificar, minha formação é em Publicidade e Propaganda. Logo, construí de forma empírica o meu conhecimento sobre AI, UX e só depois começaram as especializações.

Cheguei algumas vezes em equipes onde não haviam pessoas cuidando especificamente da informação e/ou experiência do usuário, e o resultado disto foi um longo período em que fui considerada “aquela mala sem alça” que caiu de paraquedas na equipe.

Sinceramente sou bem humorada demais para me incomodar e hoje em dia, embora as equipes me respeitem como profissional, tendo meu espaço garantido no staff, incorporei a nova distinção ao me apresentar com toques de humor: “arquiteta e mala sem alça”, “designer de experiência e mala sem alça” e por ai vai. As pessoas sorriem e pronto: primeiro gelo quebrado. Sem contar que estes conhecimentos “extras” da formação, no inicio geradores de certas desconfianças, hoje compõem minhas pesquisas e estudos de forma significativa e sistemática.

Mas o caminho que inicia no estranhamento, quando surgimos dentro das agencias, e vai até a total absorção da nossa modalidade profissional pede paciência, pois o nosso desafio é, além de suprir as necessidades de UX e AI do projeto, criar estabilidade social dentro da equipe mostrando que chegamos para somar. E isto pode demorar um pouco, pois no caminho existem vários pequenos obstáculos a se ultrapassar.

Por que estes estranhos estão aqui?

Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que isto não é uma constante em nossos ambientes e muito menos algum tipo de desabafo e sim o resultado de várias conversas com colegas de classe que me inspiraram a escrever estas mal-traçadas linhas digitais. Fique tranquilo: tem muita agência que nos ama e nos quer.

Mas para aqueles que estão iniciando na empresa uma área que cuida de informação e experiência, ou mesmo se você resolveu mudar de ares ou está entrando em uma agência onde será o primeiro a levantar nossa bandeira, te passo 2 informações motivadoras:

  • Se sua empresa abriu vaga para AI, UX ou se está sendo convidado a ser o primeiro profissional com este perfil, é sinal de que há uma demanda reprimida e provavelmente as equipes estão envolvidas demais em suas especialidades – e se tornou fundamental alguém que esteja exclusivamente trabalhando com a organização das informações e a experiência do usuário dentro do produto digital;
  • Embora usabilidade, arquitetura de informação e experiência de usuários não sejam coisas que surgiram da noite para o dia (como o Nissim Ourfali), estávamos um pouco restritos a grandes agências e grandes projetos. Hoje a experiência é fundamental – as agências e seus clientes perceberam a verdade da máxima ”quem gosta compartilha”. E todos precisam ter um olhar exclusivo para garantir este diferencial decisor.

Desmistificando o mala

Somos frenéticos. Temos que ser. Definitivamente, a imagem do profissional sentado, recebendo jobs pela manhã e entregando no final da tarde não nos pertence, e por conta disto, estamos o tempo todo conversando com todas as áreas, seja acompanhando, desenhando ou testando.

Detemos muita informação de projeto e integramos algumas expertises, e por conta de todas essas “andanças” é que surgem as famosas má impressões e a consagração dos malas.

Não estou dizendo nos parágrafos acima que somos, “os caras” do digital. Não caro leitor, NÃO somos “os caras” e sim adquirimos o fator “corre pela agência e fala com todos” por conta de estarmos constantemente em todas as pontas alinhando e aparando arestas informativas enquanto o projeto estiver em nossa bancada. Ah! E também não somos gerentes de projeto, pois nosso foco é informação e experiência.

“Mas Iris, no meu trampo tem um cara que se acha só porque trabalha com UX!.”

Caro leitor, te garanto que esta não é uma característica de formação da classe e esta pessoa não exemplifica o artigo que estás lendo.

De qualquer forma, vamos pensar em coisas simples que podem mostrar de forma simpática o fator “agregador” de benefícios que vem no ato da adoção de um arquiteto ou experienciador para a equipe:

  • Sabemos que tudo o que é novo e entra no processo dentro de um ambiente profissional causa certa comoção. Isto acontece quer seja com o café que mudou ou com as novas diretrizes e não poderia ser diferente com um novo profissional que vem orientar a informação e definir a melhor experiência para a navegação;
  • Todas as vezes que entramos em um projeto, desoneramos alguém de tarefas que poderiam estar atrapalhando a entrega final. Quer um exemplo? Olha que beleza para o diretor de arte se nós pensarmos juntos o modelo de experiência ideal e suas interações. E melhor: além de otimizar seu tempo ele ainda recebe wireframes – se o projeto pedir – com toda a organização informativa;
  • Os projetos ficam mais fáceis de conduzir em todas as pontas quando alguém se ocupa em definir experiências e informação e o resultado pode ser um produto muito mais contextualizado e com menos refações.

Viu só? Ainda que seja de certa forma nova, a inserção de AIs, UXs e tudo mais é bem importante. É o inicio de uma nova etapa no modelo de negócios da empresa onde as premissas começam a se agregar à boa experiencia. Todos somam e podemos ajudar a deixar isto claro para todos.

Lembrando sempre que o processo de integração não é apenas conhecimento de área e sim a soma deste com doses de empatia, profissionalismo, determinação e paciência  E esta receita de “juntar” não está pronta, mas pode ser um bom começo.

E você? O que tem a dizer?

Até que ponto UX está realmente incorporada na empresa?

“Dez anos atrás, muito poucas agências tinham qualquer tipo de expertise em UX, então pode parecer um progresso que hoje as agências usem a experiência do usuário (e seu vocabulário) como discurso central nas propostas para seus clientes.

Ou talvez não. À medida em que os clientes falam mais sobre UX em seus briefs, agências têm respondido dizendo que são completamente centradas no usuário. Elas incorporaram ferramentas de design (como personas e user journeys) em seu processo e falam muito sobre os consumidores para o cliente, mas muitas vezes continuam negligenciando as conversas reais com consumidores.

O processo de design ainda fica muito nas mãos do Diretor de Criação e mesmo que alguns consumidores sejam chamados em testes de usabilidade, eles certamente não são convidados para participar da estratégia do produto ou serviço. Chegou a hora dos clientes começarem a exercer certa diligência com suas agências e pedirem evidências de colaboração real de consumidores durante o processo de design.

Decisões de design baseadas em adivinhações trazem riscos desnecessários ao processo criativo. E são os clientes que sofrem as consequências quando essas adivinhações estão erradas.”

via

Agências de publicidade, não de propaganda

Excelente a apresentação abaixo, sobre como as agências de publicidade estão se transformando para fazer cada vez menos propaganda – e cada vez mais produtos que sejam relevantes para os consumidores de determinada marca.

(Se você estiver lendo este post por RSS e a apresentação acima não abrir, veja-a no blog)

Existe toda essa discussão em torno do modelo de negócios de agências de publicidade e se elas deveriam se tornar mais parecidas com start-ups e menos com grandes negociadores de mídia. Mas não é sobre isso que fala essa apresentação.

Para mim, ela fala sobre uma transformação natural no comportamento das pessoas.

Publicidade faz as pessoas quererem coisas.

Anúncios tradicionais estão se tornando cada vez menos eficazes em “fazer as pessoas quererem coisas”.

Talvez porque as pessoas estão ficando mais inteligentes? Ou simplesmente porque as pessoas estão sufocadas por anúncios que oferecem produtos para elas consumirem?

Acontecendo isso com as pessoas, mudanças também se tornam necessárias do lado das agências.

Não preciso nem dizer o quanto acredito que UX e metodologias ágeis estão sendo (e ainda serão por muitos anos) os grandes agentes dessa mudança de pensamento.

via Rafael Bessa